quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Poucas coisas são mais ridículas...

...do que o suspense que esse Daniel Alves faz para bater suas faltas. Ele pára, respira fundo, observa lá e cá com olhares dignos de um Robocop, em fria, milimétrica busca das melhores opções para efetuar o levantamento; faz carranca de mau, calculada pose corporal e assume um ar de superioridade de quem realmente vai decidir a partida com tal lance (sempre em busca de uma câmera, lógico, este paradigma dos jogadores modernos, junto às famigeradas chuteiras coloridas) - para, na sequência, mandar a pelota em local quase sempre frustrante para quem fez tamanho alarde de suas capacidades com a bola parada. Mas, mesmo assim, com essa capacidade de sair do método mais arrojado de interpretação para a canastrice contumaz, ele sempre está por aí, nas convocações da seleção, assim como permanece no Barcelona, um dos gigantes do futebol planetário. Sinal dos tempos é isso aí: o que conta, hoje, não é a eficiência, é a imagem. Eis a prova, corporificada em um lateral-direito que sabe, como poucos, "representar" o ofício.

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Não só é triste uma seleção brasileira que ainda precise ($$$) de Ronaldinho Gaúcho (que nada fez, como já prevíamos) e Robinho (este, agora, promovido a "capitão") - triste (ou sintomático?) é também ver um Campeonato Brasileiro trazido de volta à vida graças a uma sequência de atuações desastrosas de juízes, estes promovidos a astros principais de uma competição tecnicamente moribunda (isso graças a um tema que eu gostaria de desenvolver mais para a frente, o da banalização dos pênaltis). E, favas contadas, os que tentaram levantar sua voz ante tal estado de coisas na grande imprensa já foram sumariamente calados, para que o status quo corrente de "certame bem disputado" não se alterasse. E tudo segue como dantes, no mundo das abobrinhas.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Estamos aqui pra isso

Veja aí, mais abaixo, nos posts recentes: Mano Menezes receberia logo a ordem para convocar Ronaldinho Gaúcho. Restaria ver se o alegre treineiro a acataria. O fez. Pode ser creditado como um dos mais covardes treinadores que já sentaram no banco para comandar o selecionado tupiniquim, e um dos que pode se servir com gosto da alcunha de "pau-mandado". Se o anterior conseguiu resistir à pressão, este não só a acatou, como o fez sorrindo. E planeja fazer mais, segundo declarou. Tanga-frouxa.

Dunga, como treinador, foi péssimo, não se pode negar. Com pouqíssimos recursos, daqueles que só sabem trocar seis por meia dúzia, entregue a uma assustadora hierarquia militar, e à panelinha que todo treinador faz uso (e, em seu caso, tendo colocado a seu serviço atletas de uma pobreza sem par), sua seleção, dentro de campo, não fará a menor falta. Agora, o que este homem fez fora de campo, ah, isso sim, será inesquecível, senhoras e senhores! Um sujeito, que deveria ser, na concepção dos donos do poder da CBF, um simples cumpridor de ordens, resolver peitar, sozinho e à revelia do sr. todo-poderoso Ricardo Teixeira, a Rede Globo de Televisão e a Nike, e por tabela a própria CBF, é coisa inacreditável até agora. Aliás, com o passar do tempo, e com o papelzinho ridículo e serviçal que gente como esse Menezes costuma fazer quando lá está, o que Dunga alcançou torna-se ainda mais surreal, coisa sem precedentes mesmo. Como uma pessoa com uma mentalidade à primeira vista tão reacionária pôde tocar um projeto revolucionário como esse, o de encarar de frente as duas corporações às quais a CBF mais abana o rabinho (petulância estratégica: na época de Copa, na qual era virtualmente intocável)? Tirem esse cara daí, antes que o estrago seja maior, e tragam alguém que faça subservientemente o nosso jogo, devem ter gritado os poderosos no ouvido de Teixeira - e aí veio Menezes, com a cartilha do bom menino embaixo do braço. Aliviados, todos deram as mãos - e agora comemoram esse ridículo retorno de Gaúcho, que nada vai acrescentar a não ser o brilho de seus avançadíssimos Nike Shox à transmissão global. Vai que é sua, Júlio César!

(PS: Toro já me adianta a letra: A Ronaldomania dá as caras novamente, e faz o Timão ressurgir das cinzas, para dar alento a esse morto "Brasileirão". O Cruzeiro recebeu seu recado: o assombroso pênalti dado ao São Paulo na quarta-feira mostra que tudo pode ser feito para que Andrés, o amigão da galera, comemore o tal "Centenário" numa boa, com ao menos um título. Veremos.)

sábado, 23 de outubro de 2010

Já repararam que...

...nossos comentaristas andam cabisbaixos, longe da empolgação do ano passado, com o "Brasileirão" corrente? O bizarro é que trata-se de um certame exatamente igual ao pregresso, aquele que foi vendido como "o maior de todos os tempos", "emocionante", e tal, por esses mesmos que agora quase choram ou bocejam no ar: times que caem de produção no segundo turno, equipe que surge e atropela rumo à liderança, disputa entre várias agremiações na zona do rebaixamento... Será por quê, um ano tão borocoxô por parte dos cronistas? Arrisco duas hipóteses:

1a.) Em 2009, eles precisavam levantar a Copa do Mundo vindoura, instaurar um clima de encanto crescente com o futebol até o ano seguinte - mas a "revolução tática" negativa promovida pela Espanha campeã (a do cozimento infernal dos toques laterais no meio-campo, e, de 1 a 0 em 1 a 0, o pragmatismo levado às últimas consequências possíveis e imagináveis) foi um tal banho de água fria que não conseguiram segurar a onda: sim, pessoas, o esporte está em franca decadência técnica nos gramados mundo afora, e é imperativa a admissão de tal fato. Ainda não puderam acordar em definitivo, pois possuem compromissos comerciais/corporativos que não os permitem chutar o balde com veemência (ao menos, aqueles dos quais esperamos atitude semelhante - da maioria, a passividade é eterna e sorridente companheira), mas estão em estado vegetativo, prestes a sair do coma.

2a.) Além da questão Copa, o campeonato ter sido hipervalorizado em função do Flamengo ser o clube com a maior torcida do Brasil (olhe que casamento perfeito, coincidência ou não: antes do certame mundial, para o congraçamento das massas na usual "corrente pra frente", nosso time mais querido é campeão!). A questão comercial tornou-se preponderante para as emissoras, que assim buscavam elevar suas audiências e lucros ao venderem essa ascensão rubro-negra como algo sem precedentes. Este ano, com a queda corinthiana, foi-se a única possibilidade das TVs em mascarar ao menos o mínimo do horror deste torneio nacional pós-ressaca do "fracasso" (em todos os sentidos) da Copa de 2010.

Fica aqui, então, a nossa dica: rapaziada dos microfones, enterrem logo o defunto, antes que ele enterre vocês.

domingo, 17 de outubro de 2010

Beijim beijim, tchau tchau

Parece que foi de um dia para o outro que as mudanças tomaram o futebol de assalto, mas não foi. Desde a época de João Havelange no poder de sua entidade máxima, a FIFA, na década de 70, já se ensaiavam diversas mudanças que tomariam corpo definitivo na gestão Blatter, no final dos anos 90, para fazer do esporte uma máquina global de render dinheiro, acima de tudo. As bases já vem lá de longe - mas, mesmo neste mundo onde tudo precisa ser moderno, padronizado e lucrativo, certas práticas não caem em desuso entre os "boleiros", por mais que sejam consideradas desatualizadas, ultrapassadas, fora de moda, etc. Porém, como o entorno que cerca os atletas é radicalmente diferente, a maneira como tais atitudes serão recebidas também. E isso pode representar muito mais do que aparenta em dois ou três segundos de um VT de melhores momentos.

Sábado passado, Robinho fez seu primeiro gol pelo Milan. O ex-santista, que tem oscilado entre o time titular e o banco de reservas (de onde saiu nesta última partida), depois de anotar o ponto, foi até um ponto no qual poderia encarar a torcida que o criticava no início da temporada, e também ser fartamente fotografado e filmado pela mídia ali presente, e beijou a camisa do time. Não só precisava dar uma satisfação aos que o criticavam, como também mostrar que ainda pode existir amor à uma camisa nesse mundo canalha, vaidoso e inclemente do futebol moderno, que já o queria vitimar antes mesmo de poder desenvolver seus primeiros seis meses de trabalho por lá. Vindo de qualquer um, já soaria cínico... De Robinho, então, é praticamente uma afronta, até mesmo para quem não é torcedor do Milan.

Não se pode precisar quando surgiu essa atitude de beijar a camisa (eu, pelo menos, não sei), mas ela servia para aproximar o jogador do torcedor. Pessoalmente, acho que nessa tão propalada história de amor à camisa tem muita balela (com dignas exceções, claro, e essas podemos contar nos dedos); mas o ato de mandar um singelo ósculo ao escudo da agremiação ajudava a dizer aos que pagaram ingresso que o jogador é consciente de ser apenas um intermediário entre o clube o torcedor, nada além ou acima disso. É necessário respeito e grande dose de discernimento, antes de tudo, pois é fácil desmascarar o farsante nessa brincadeira; já que todo jogador possui um passado, é acompanhado incessantemente pela mídia, diz coisas que podem ser mal interpretadas, etc. Se tal ato hoje é mal visto, se existe, por exemplo a expectativa do iminente vexame se um jogador beijar o símbolo no novo clube em sua apresentação, por exemplo, é porque isso é demonstração de frontal hipocrisia - não porque não existe mais o tal "amor à camisa", e sim porque o compromisso com o futebol fica em segundo plano para as novas gerações, mais interessadas em ascenção social, celebridade, etc. Assim, o que dizer se é um dos que mais valorizam o culto à personalidade a origem de tal prática?

Robinho está acuado neste início de temporada na equipe rossonera. Tanto a torcida quanto seus companheiros não lhe dão colher de chá. Sem o tão benfazejo refresco do paternalismo, aquele que tem feito os atletas retornarem ao Brasil reclamando de "perseguições" dos técnicos estrangeiros, tem cortado um dobrado. Na comemoração do gol, o atacante comportou-se feito um cordeirinho, quase chorando frente à organizada do Milan, rebaixou-se como poucas vezes pudemos ver, porque ainda quer de qualquer forma ser aceito em um dos "grandes" do Velho Mundo, mesmo com a carreira já em curva descendente. Fez média com a torcida, sequer preocupou-se em considerarem sua atitude populista (pelo contrário, quis que a registrassem, a fez ali, perto de quem a captasse para retransmiti-la depois), porque realmente não se incomoda, pois, sim, ainda acalenta o projeto de ser o "melhor do mundo". Por qualquer lado que observemos, não importa quantas voltas dermos, com Robinho sempre cairemos no individualismo, no personalismo exacerbado, na falsa humildade. Um beijo na camisa é para ele a continuidade desse processo de contínua adoração ao próprio umbigo - e que a trégua com os torcedores do Milan, que não iam com sua cara, venha seguida também de idolatria, é só o que a ele interessa. Durma-se com um barulho desses.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"O tempo é o senhor da razão"

Chavão, lugar-comum, frase batida... Tal ditado que entitula esse post é uma frase ainda mais surrada que as hoje em dia doentias "futebol é uma caixinha de surpresas", "tal jogador veio para somar", "placar elástico", e desgraças quetais. Mas não me foi possível evocar outra sentença, me desculpem. Assistindo ao canal ESPN ontem, repercutiam uma entrevista de Ronaldinho Gaúcho a um veículo francês (esse tipo de "bomba" dada por jogadores nativos de renome encontra duas válvulas de escape: Rede Globo, ou algum grande jornal/TV da Europa - lembra-se que Ronaldo preferia que seu filho fosse "europeu"? Pois é, complexo de vira-lata não se supera do dia pra noite), na qual ele dizia: "Nenhum jogador brasileiro jogou tanto quanto eu, na temporada passada". Arnaldo Ribeiro, tão querido por nós aqui do Antimídia, comentava. Primeiro, me diz que tal frase não combinava com Ronaldo Assis, "sempre tão humilde". Depois, diz que poderia listar "uns 20 jogadores brasileiros" que atuaram melhor que o 80 milanês em 2009/2010, e que, se quiser ser convocado novamente, ele precisa fazer um sequência de jogos "menos irregular" do que a passada. Me senti estranho. A cabeça voltou à tal temporada como em um furacão, e nem precisei vasculhar os arquivos desse blog para refrescar a memória, ainda quase lá: não foi nela que os articulistas insistiam que Ronaldinho debulhava tudo, jogo após jogo? Que ele havia recuperado a forma, que estava voando baixo, que massacrava sem pena os adversários, e que seria a única alternativa de brilho para a seleção de Dunga? Ora, fuçe você mesmo o arquivo deste sítio, para ver o que Toro e eu postamos desde o início do massacre midiático que visava mastigar todas as mentes, favorecer Ronaldo Gaúcho e interceder a favor de sua convocação: que, NÃO, o sujeito não estava jogando a bola que esses especialistas direcionados e parciais insistiam que ele vinha praticando. Por quê só agora, depois da Copa, sem o compromisso comercial da transmissão, o tal Arnaldo percebeu isso, e admitiu hipocritamente frente às câmeras, com ar blasé, sem autocrítica? Ou melhor: será que não existia essa consciência já naquele momento, e que alguma coisa (mais uma vez, sugiro que vá aos posts antigos, lá esmiuçávamos o quê poderia freá-los) o obrigava a dizer o contrário? Em quê vamos acreditar: em ingerência corporativista ou em 'delay' do articulista? Se escolher os dois, também não estará errado.

Talvez estimulado pela presença de Mano Menezes, que demonstrou nos primeiros jogos total disposição para fazer tudo o que lhe mandarem, Gaúcho já avisou ao treinador (e aos dirigentes da CBF, para que lhe passem a ordem): quer voltar ao time do Brasil, e planeja ainda jogar as Copas de 2014 (quando estará com 34 anos) e 2018 (com 38). Nesta bolha na qual vive um jogador multimilionário, tudo é possível: até mesmo crer que não será ultrapassado pelo tempo. Parece que a lição de 2010 não foi compreendida por Ronaldinho, que ainda se crê maior do que o seu futebol realmente o credencia (ou, vá lá, se você é daqueles que o compram como o "maior da década", não firamos sua aflorada sensibilidade, ao menos uma vez: digamos, então, que o seu "momento" o credencia - melhorou?). Se é levado a acalentar tais desejos pela máquina que o cerca (quem, já acostumado a viver como Deus por acreditar ser o próprio, deseja voltar a ser simples mortal?) ou se ele realmente bota fé que, aos 38 anos, ainda terá condições de estar em um certame mundial (sendo que aos 30 já foi cortado de um), é algo que não sabemos - mas a megalomania de sua frase, aquela que gerou a manchete do jornal francês, parece não ser obra do acaso, dessas sentenças pescadas por um jornalista astuto entre palavras perdidas ditas pelo entrevistado. Se o tempo traz a razão a alguns, a outros ele não parece tão benfazejo assim.

(E a 'Neymar situation' continua rendendo. Dia desses, se o assunto não me fizer devolver almoço ou janta, tento falar dele por aqui. O 'garoto de ouro' virou um habitué do Antimídia - e, se isso acontece, bom sinal não é...)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ainda não me ensinaram a fazer contas quebradas

Eduardo Galeano (foto) afirmou, uma vez, ser uma espécie de "mendigo do futebol", pois era como se passasse um pires pelos gramados mundiais, em busca de migalhas de fantasia no futebol, ou seja, um drible bem dado, uma jogada coletiva bem construída, uma defesa arrojada, gols espetaculares... Coisa cada vez mais rara no futebol, segundo o mestre uruguaio, já em plenos anos 90, época que pessoas como nós, que iniciamos nosso gosto pelo esporte um pouco antes dessa data, ainda enxergávamos tantas maravilhas. Pois, se aqui no Antimídia, ainda perdemos tempo com a indigência generalizada dos programas esportivos, é porque aguardamos (com certa ingenuidade, devemos admitir) algum abnegado da crônica soltar farpas de amargura com as quais nos identificamos, e que iriam frontalmente contra o corporativismo reinante entre emissoras e Campeonato Brasileiro, e entre tais articulistas e seus contratantes. Assim, somos algo como "mendigos da verdade" - uma tarefa hercúlea e que parece perdida, mas da qual não desistimos.

Hoje, fui conferir um programa da horrenda SporTV, esse canal que criou um mundinho paralelo de plasticidade total para seguir em sintonia com o futebol "globalizado" e seus fãs fast-food, unicamente porque queria ver os gols dos jogos de ontem. Só isso: não queria saber da opinião de ninguém, não queria ver matérias feitas por/para abobados, não queria ver sorrisinhos nem troca de gentilezas/piadas internas feitas pelos apresentadores, para simular (mal) a descontração tão cara ao jornalismo esportivo global. Queria apenas saber os resultados, ver os tentos, e acabou. Pois bem: a primeira chamada do programa matinal era um suposto "chapéu" que o santista Neymar havia aplicado no oponente catarinense do Avaí. Tal imagem foi repetida à exaustão, de vários ângulos, e já antecipava o discurso a segui-la: "alegria", "arte", "molecagem", bla bla bla. Detalhe que sequer foi mencionado: o que recebeu o lençol estava caído, deitado ao chão. Outra: o jogo estava paralisado, da mesma forma como havia acontecido há um tempo com o avançado baleeiro e o beque mosqueteiro Chicão. Pois sim: todos estavam prostrados ante um lance que sequer pode ser considerado parte integrante daquela partida, já que esta encontrava-se momentaneamente suspensa! E nosso amigo "craque" ganhou destaque ("incontestável", segundo os do canal) no cotejo por conta de algo gratuito como tal firula, que fez exatamente com o intuito de se exibir, de aparecer, de prorrogar forçosamente o rótulo de jogador "irreverente" que lhe colaram!

À parte a discussão que tomou conta dos programas da hora do almoço, dos quais a tônica é desde sempre o provincianismo estupidificante, a de que aquilo poderia ser um desrepeito ao adversário (e cuja réplica era sempre a de "querem acabar com a alegria do futebol" - cavalgaduras como esses caras só enxergam as coisas em termos rasos), temos aqui uma continuação do post anterior: o desespero que os profissionais do microfone (e, por extensão, os que os acompanham) nutrem por encontrar "ídolos", nessa era da pré-fabricação, os levam a considerar um lance fora do jogo como demonstração de "talento". E não são os tais "mendigos", como Galeano disse com a classe que lhe é peculiar, pois esses, que ainda passam o chapéu em busca dos restos da real fantasia no tapete verde, buscam justamente o contrário do que Neymar fez. O autor platino é de um tempo no qual se valorizava unicamente os feitos alcançados dentro de campo, por jogadores capazes porque verticais, objetivos. O 11 praiano, por sua vez, fez apenas e tão somente a costumeira publicidade de si mesmo, maquiada de "arte", de forma oportunista, covarde até (o adversário estava caído, lembremos), e que nada acrescenta ao futebol como jogo, como esporte. Se a firula desnecessária dentro de uma partida já é algo discutível (para nós, repugnante), Neymar notabiliza-se por levar a inutilidade ao ponto de ser reconhecida como acontecimento de maior interesse até do que ele e seu time haviam feito em campo. Anotou um gol, até deve ter jogado bem, o Santos venceu, mas os olhos se voltaram para o momento no qual não existia futebol, no qual o duelo estava interrompido, para o qual seu gracejo deveria significar o mesmo que uma reposição de bola feita por gandulas. Sintomático que se subtraia da manchete e das discussões a peleja, as equipes, o campeonato: é o canal, o programa esportivo, o jornalismo em geral, mandando o futebol definitivamente às favas, para destacar uma bobagem extra-partida! A real motivação para a cobertura torna-se algo que não é mais o desporto bretão; mas que, paradoxalmente, nos é vendida como a alma do "real futebol brasileiro"! Isso é assustador demais para passar batido, caras. Por essas e outras que, por mais que exista a vontade de jogar tudo ao inferno, ainda encontramos um tanto de força e de razão para postar aqui.

(Um adendo: nas últimas partidas, São Paulo e Corinthians - antes, lógico, da palhaçada do tal 'retorno' de Ronaldo - entraram em campo sem centroavante de ofício. Um dos nossos últimos tópicos falava exatamente da escassez que tal posição enfrenta no mundo hoje em dia. Será por conta de covardia tática, ou porque esperam que o próximo 'fenômeno' surja a partir da eliminação, para que este seja em definitivo o 'único da espécie'? Alexandre Pato está aí, na fila dos que aguardam tal oportunidade.)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A televisão me deixou burro, muito burro demais

Vivemos tempos turbulentos, de constantes transformações - e que geram, a reboque, inevitáveis deformações. A cultura das celebridades efêmeras é a tônica dos que se lançam a boa parte das atividades que exijam mídia, e o futebol não foge dessa realidade (aliás, muito a alimenta). Os meios de difusão, com a Internet, tornaram-se variados e "democráticos", e, não importa se é micagem ou coisa séria, sempre tem alguém disposto a assistir quem quer aparecer.

Pois então: uma das pragas que contaminam o nosso (ex?) esporte favorito são os jogadores que comemoram gols para a câmera de TV. Até em partidas de segunda, terceira divisão, eu já vi essa coisa estapafúrdia acontecer. Vivemos dizendo aqui que a atual geração não possui mais compromisso com o futebol, e tal manifestação deixa claro que a cabeça dessa molecada está voltada, em primeiro lugar, para a celebridade, para a auto-promoção, os programas da hora do almoço, o fazer média com patrocinadores e puxa-sacos... Enfim, de ter a si próprio como o centro das atenções, sempre. Às favas a torcida - não vale a pena comemorar com quem pagou para assistir ao jogo, se uma palhaçadinha para a câmera, junto a uma edição "esperta", pode render uns minutos com Tiago Leifert no dia seguinte, né? Ou, quem sabe, se o "craque" entoar alguma declaração de amor a alguém, isso não estimule alguém a fazer uma matéria que esmiuçe tal "mistério", e que revele a pessoa que fez nosso querido atleta beijou a aliança ou mostrar camiseta com mensagem edificante... O presente que eles dão para a outra é esse, o de poder aparecer também em algum desses programetes. Todos querem virar imagem, todos acreditam que esta é glória definitiva, desejam sua parte do bolo nesse amargo Big Brother da vida real. E essa perigosa babaquice precisaria ter fim, mas não vai acabar, já que o futebol-HD é espetáculo televisivo, não de estádio. É como um show de auditório que exclui a audiência ali presente, que prefere afagar os que estão em casa (pois são as emissoras que sustentam aquilo, não você, parecem esfregar em vossos focinhos), e no qual os atletas-artistas precisam possuir essa intimidade com as câmeras já do berço, pois é ali que mora sua valorização. É a verdadeira "Malhação" dos gramados.

Outra coisa é a banalização da palavra "ídolo", entre tantas outras que nossos queridos "especialistas" tanto adoram repetir até esgotar por completo. Esses dias, escutei um ser aí dizer que o lateral-esquerdo Marcelo é "ídolo no Real Madrid". Perae, perae... Que eu saiba, ídolo por lá é gente do quilate de Puskas, Di Stefano, Hugo Sanchez... Craques acima de qualquer suspeita, que precisaram de anos de títulos e ralação, junto a seu indiscutível talento como futebolistas, para que pudessem ser algo mais na história do gigante merengue do que uma simples nota de rodapé. Como agora um atleta mediano, que sai do país sem sequer ter se firmado em definitivo no clube de origem, ser "ídolo" de uma agremiação com tanta história, cuja jaqueta já abrigou tantos gênios? O que está errado aí? E isso não pode ser creditado somente à simples preguiça do articulista não, caros: o triturador midiático realmente exige que esses malucos sejam e deixem de ser "ídolos" em curtíssimo espaço de tempo. É necessário dar esse lustro de importância a qualquer um que vista camisa de grandes times, já que até mesmo os coadjuvantes podem ser fonte de renda. Tudo é "produto", tudo é "marca", tudo gera publicidade, e o futebol jogado, que deveria ser prioritário para separar o joio do trigo, é esquecido. Ele representa dois dias de trabalho na vida de um atleta profissional na Europa; o resto (e maior parte) do tempo é dedicado ao esporte de inflar ego. Não é somente a palavra que se banalizou, então: são todos os procedimentos que envolvem o futebol e que levam até tal expressão ser dita, também. Um mundo banal, cada vez mais vazio, e, por isso, desesperado por idolatria - e que gera novos "fenômenos" a cada 5 minutos, goela abaixo de quem se dispõe a engoli-los.

Ontem, inclusive, foi transmitido via TV a cabo um jogo do Real Madrid ante o Peñarol - e o alemão Ozil, que até pouco tempo ainda não havia acertado, vendeu-se e já estreou no Bernabeu. Os caras sequer dão tempo para o povo respirar - é necessário capitalizar o quanto antes, fazer o dinheiro valer antes de qualquer pensamento. E a sua pedra está aí, meu caro, para ser empurrada. Vamos lá, que eu vou empurrar a minha aqui.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Chuta, que a santa é de gesso

No começo do ano, até entendíamos que o time do Santos fosse protegido pelos nossos cro(oportu)nistas, já que era o time das goleadas, o time que "resgatava o futebol bonito", o time "que jogava para o ataque sem medo de ser feliz", bla, bla, bla... Mas, pessoal, isso agora já não cola mais. Aquele era um momento de euforia, no qual víamos supostamente surgir uma geração interessada em partir para cima do adversário, que supostamente sepultava o futebol pragmático herança de Parreira e seu título mundial em 94, que supostamente revivia a beleza de nossas tradições de "molecagem" e "irreverência" que pareciam sepultadas há muito pelas pranchetas e planos táticos. Como pregamos aqui desde o início, esse tipo de papo é balela das grossas, porque o compromisso dessa gente não é mais com o futebol, e sim com ascensão social e "valorização do passe". A máscara dessa pirralhada já começara a cair na final do Paulista, quando perderam para o rifado Santo André - e agora, com o encanto já esfumaçado, eles se envolvem em confusões que dão cada vez mais vergonha, pois seu deslumbramento (ora babaquinha, ora perigoso) com tudo que o extra-campo os propicia é inversamente proporcional à sua parca capacidade de lidar de forma racional e pé-no-chão com a subida veloz para o cume da pirâmide social. A última foi essa da Webcam, que mostrou que a "irresponsabilidade saudável" dos santistas não é tão benfazeja assim, já que traz em sua pauta total desrespeito por clube e torcida em razão da ignorância e do culto a si próprios.

Sentados em seu trono, sentindo-se deuses de um mundo que deve unicamente glorificá-los, sendo chamados de "ídolos" por pessoas que sequer sabem a abrangência de uma palavra como essa, e contando com a diretoria omissa que deixa a criançada deitar e rolar (é só por agora, pois já já todos serão vendidos), faltava apenas o pitaco desastrado de algum cro(oportu)nista. Pois aí está: o tal Albuquerque, da ESPN Brasil, em meio a colocação de panos quentes e a usual condescendência disfarçada de veemência dos analistas ditos "imparciais", diz que a torcida foi tão imatura quanto os jogadores. Sim, ele jogou a responsabilidade para a torcida também, isentando parcialmente os jogadores e a direção do Peixe, clube do qual é torcedor declarado, de dolo em mais essa demonstração de arrogância, narcisismo e falta de senso profissional. Veja aí, no finalzinho do vídeo junto a esse link: http://espnbrasil.terra.com.br/santos/noticia/139444_VIDEO+DECLARACAO+DO+GOLEIRO+FELIPE+E+MAU+CARATISMO+ANALISA+GIAN+ODDI. Se o título da matéria destaca um 'mau-caratismo', ficamos sem saber a qual ele se referia...

Mauro Cezar Pereira, a única voz da crônica desses canais pagos que ainda merece algum respeito de nossa parte, toca na ferida com muito mais propriedade: http://espnbrasil.terra.com.br/maurocezarpereira/post/139433_VI+PARTE+DA+APARICAO+DE+MADSON+E+OS+SANTISTAS+AO+VIVO+CONSTRANGEDOR. É bem por aí. E lembremos que um dessa turma, o tal André, já foi para o Dínamo de Kiev - veremos para qual outra mediocridade ululante irá o resto das estrelinhas que se gabam em gastar mais grana com comida de cachorro do que o que os torcedores que os admiram, e que ajudam nesse gasto com rango canino pagando ingresso para vê-los desempenhar em campo, ganham por mês.

(Um complemento ao post anterior: Mano Menezes já é figura carimbada em todos os programas da Globo - inclusive, Toro me alertou que o treineiro disse a jornalistas presentes em sua apresentação que só falaria dali a três dias, segunda-feira, para todos, em uma coletiva quando da sua patética primeira convocação; mas, no domingão, lá estava ele, todo solícito, no Esporte Espetacular! A politicagem e a promiscuidade da CBF com o canal do Jardim Botânico é de enojar - e, agora, voltou com força redobrada.)

terça-feira, 27 de julho de 2010

Troca o baralho, que esse está marcado

João Gordo uma vez afirmou que o Brasil tem jeito, sim. "Basta que se mate todos que aqui estão e que começe tudo de novo". Pois assim vejo a situação da CBF e sua mais lucrativa franquia, a seleção brasileira. Não existe outra maneira de se modificar o panorama do futebol nacional se não se combater o sistema viciado, putrefato mesmo, que tomou conta da entidade desde a posse de seu todo-poderoso, sua Madame Butterfly, sr. Ricardo Teixeira, e sua tropa de vampiros, sempre sedentos por negociatas e maquinações de bastidores. A Confederação simboliza tudo aquilo que existe de mais podre e rasteiro dentro do mundo político, e os que lá estão são como os homens públicos profissionais: não largam jamais o osso, pois sabe que essa é a casa das oportunidades, que rendem a eles tudo o que lhes dá sentido à vida, ou seja, status, poder, libertinagem e dinheiro. Mudaram o treinador, mas a retaguarda que lhe dá suporte ainda é a mesma. Então, o que esse novo treinador terá de fazer? Se adequar ao modus operandi da família Teixeira-Havelange, ou então, nada feito. Afinal, se a coisa está tão boa para os manda-chuvas da casa, se eles podem comer seu caviarzinho e viajar para qualquer canto do planeta às custas da sangria do esporte mais popular de sua nação (esta, que eles dizem hipocritamente "representar"), para quê mudar? Não importa se a esquadra sofra diretamente com isso, à sombra de tantos desmandos e maracutaias (das quais eles próprios, os jogadores, não estão isentos de responsabilidade, é bom salientar). "Renovação", palavra tão usada pelos "especialistas" nesse momento pós-fracasso na Copa do Mundo quando se fala do escrete amarelo, não passa, portanto, de apenas isso mesmo, uma questão meramente retórica. Na prática, nada muda.

Mano Menezes assumiu em meio à recusa de Muricy Ramalho. É um treinador sério, de método, que sabe trabalhar somente a longo prazo (talvez por isso seu currículo não seja dos mais vistosos), mas que precisou fazer concessões para encarar esse que é o "sonho" dos técnicos brasileiros: o de ser aceito pela CBF como um dos 'tops' da profissão. Assim como jogador, que deseja desde o útero da mamãe vestir a camisa de qualquer clube europeu (sim, qualquer um), técnico também possui as suas cobiças. Mas a vaidade de Menezes foi o menor dos males: triste, sim, foi que sua chegada em nada alterou a rotina usual da CBF e de seu time de estrelinhas fugazes, como ficou claro em sua primeira lista de chamada à frente da seleção. Óbvio que a não-convocação de parasitas como Robinho e Júlio César, talvez os dois com os narizes mais enfiados nos próprios umbigos entre os 23 estafermos que foram à África, é francamente elogiável; claro que existem aquelas patacoadas usuais entre as novidades do treineiro, tão comuns aos iniciantes no cargo (movimento natural de quem quer mostrar serviço: ali estão os desconhecidos que jogam na Europa, que são utilizados para que o recém-empossado mostre que acompanha os campeonatos, que está "antenado"; se fazem presentes também os brasileiros de times menores ou ainda em amadurecimento, cujo sucesso vindouro poderá ser creditado a seu descobridor, este faro tão certeiro para descobrir novos talentos e tão democrático para dar-lhes oportunidade)- mas o resto é somente mais do mesmo. Os que agora serão promovidos a titulares são os que eram antes reservas (já estão mais que à vontade com o clima nababesco da CBF, sabem em que costas precisam dar tapinhas, já arrumaram faz tempo seu pé-de-meia em times do Velho Mundo); as ditas "novidades" são aqueles que mais se mostraram talhados a entrar no esquemão titular do clube-seleção de base-negociação milionária-qualquer agremiação fora daqui. Ora essa, o que Neymar tem jogado que justifica sua presença em uma lista dessas? O que Pato fez nesse último ano, ou mesmo em sua carreira, que o credencia a ser tão indiscutível (como já dito no post abaixo)? Menezes inicia sua participação fazendo uso das mesmas cartas marcadas de seu(s) antecessor(es). Exatamente como a cartolagem queria, e sabe como ninguém estimular e promover. Parabéns a todos eles por mais esse passo atrás.

(Para terminar, uma recomendação: matéria da revista Carta Capital que fala, com sobriedade e exatidão, a respeito do que será essa Copa do Mundo tupiniquim organizada por Teixeira e sua turminha de Alis Babás. Link: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/quem-vai-impor-limites)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O fim do centroavante?




Luiz Suarez, centroavante do Uruguai, me impressionou: mesmo que, em muitos momentos, pudéssemos considerá-lo fominha e estabanado em demasia, ele não se furtou em um momento sequer de dar peitada, encontrões, empurrões, caneladas e toda a sorte de artifícios que um atacante não pode abrir mão para exercer seu ofício. Veja só: ele até mesmo arriscava chutes a gol! De posse da bola, tinha essa preocupação de levar trabalho ao goleiro adversário, e atirava não importa de onde, não importa se de cabeça ou com qualquer um dos pés. Em que mundo os centroavantes deixaram de fazer tal coisa, abriram mão de serem perigosos à meta contrária para tornarem-se bibelôs cheios de não-me-toques? Ora, caros: no mundo de fantasia dos telões da Copinha de 2010.

Sim, esse foi o certame que, além de evidenciar o total desinteresse das grandes "estrelas" em relação a seleções nacionais (cito Messi e Cristiano Ronaldo como exemplos mais óbvios e surrados, mas também as "nossas" estrelinhas, como Júlio César e Robinho), também foi o dos centroavantes que não fazem gol. Desde moleques, Toro e eu acompanhamos gente como Careca, Van Basten, Klinsmann, Romário, e tantos outros que tinham o ato de fazer gols como algo ligado a sua própria sobrevivência. Parecia que esses caras não conseguiriam sequer respirar se não anotassem tentos atrás de tentos! Eram forças da natureza, atletas mergulhados em um total compromisso com o futebol, nada além disso! O pós-96 nos trouxe a nova ordem: o 9 tornou-se uma peça além da equipe, além do esporte, além da vida; fazer gols passou a ser não a conclusão natural de uma jogada bem-feita, e sim algo fora do comum, coisa de "fenômenos", de gente que vê cada ponto que anota ser tratado como uma gema inatingível ($$$), e que fez do gol um artigo de luxo e, por conseqüência, capitalizável. Não estamos mais na época em que Van Basten marca quase 40 vezes em cada um de dois certames holandeses seguidos, e encara isso como algo natural à sua posição e à sua profissão: estamos na Copa em que se pulveriza a artilharia merreca de 5 tentos entre 4 jogadores, e que nenhum centroavante (excetuando a dupla de frente uruguaia, na qual Forlán era a categoria e Suarez a transpiração) fez NADA que se pudesse destacar positivamente - ao contrário: queriam somente bolas em condições perfeitas, não arriscavam, sumiam dos jogos, isso quando não eram responsáveis por momentos bisonhos de grosseria e auto-indulgência. Quantos gols de cabeça você viu no torneio mundial? Pouquíssimos, né? Bem-vindo à era dos atacantes que não se castigam pelo jogo, e que desejam ver tudo chegar de mão beijada a si. E o pior é que, na maioria das vezes, não importam os meios ou as fontes, as obtém.

Vejo que a capa da última Placar traz dois nomes que a revista considera estritamente necessários à renovação da seleção brasileira: Paulo Henrique Ganso, do Santos, e Alexandre Pato, ex-marido de uma atrizinha da Globo. Cito isso porque é a única coisa que traz o tão incensado atacante às manchetes do mundo são as colunas de fofocas, que tratam de seu rumoroso divórcio da tal ex-Malhação, ou qualquer que seja o lixo que a moça tenha estrelado na emissora. Futebol ele não joga faz tempo. Aliás, o que é Pato? O que ele fez para justificar tanta badalação, que tipo de proezas perpetrou para ser chamado até mesmo de "gênio" por alguns insanos de microfone na mão? Digo que não joga porque nem ao menos entra em campo há um bom par de anos. Atleta de seleção, hoje em dia, sequer precisa desempenhar nos gramados - basta fazer o extra-campo de forma correta que o resto está garantido. Assim, quem sabe a tal ave aquática não forma dupla de área com o Nilmar, aquele que pula feito uma Barbie de qualquer dividida ou chegada mais ríspida de zagueiros ou volantes? Simbólico, esse ataque da nova ordem: o que prioriza mais em sua carreira tirar fotos de cuequinha, e o que foge, com medinho, do corpo-a-corpo, em um jogo prioritariamente de choque e de contato. É a dupla que faz a festa da revista Capricho.

(Aos que esperavam mais atualizações desse sítio durante a nefasta Copa do Mundo última, nossas desculpas, mas não rolou. Conversava com Toro a respeito de ser esse o certame que deveria marcar uma virada em relação à padronização horrenda que o jogo adquiriu e que saltou às vistas mais do que nunca em sua mediocridade; esse deveria ser o ponto aonde até mesmo os mesmerizados passariam a clamar por algo com mais alma, mais culhão, menos paquitagem e cabelereiros/manicures - mas, mesmo as vozes que clamaram por mudança vez ou outra durante o torneio, depois voltaram a deslumbrar-se com o nada. Chegaram até mesmo a falar que a vencedora Espanha, com sua sequência de torturantes 1 a 0, era um exemplo de "futebol ofensivo e bem jogado"! O mal-estar nos dominou até mesmo para expormos nossas idéias de mal-estar. A vontade de desistir de vez desse futebol carcomido por dentro e lustroso por fora é grande - veremos até aonde conseguiremos chegar a partir de agora.)