quinta-feira, 17 de março de 2011

Daily uma Porrada – Futebol Idiota – edição #3

*Ronaldo Gaúcho não está mais acompanhado de seguranças apenas no caminho entre o treino e sua casa, a casa e o estúdio do Galvão e de lá a outros puteiros. Ele está saindo de campo (!) dessa maneira. Quando vi a cena, voltei ao Egito de dez mil anos atrás. Mas este não passa de um fóssil ignóbil dos faraós. Já falamos por aqui da paranóia geral que o futebol moderno instalou no jogo. O segundo gol do Flamengo contra o Fortaleza acelerou-me este sintoma. Não havia impedimento, certo. Mas me pergunto se seria anotado se fosse pro lado contrário; se houvesse mesmo impedimento, seria marcado? Parece que a tendência dos anos recentes vai confirmar o que venho praguejando à todos desde que o Dentuço da Humildade chegou: essa Copa do Brasil já está com o nome do time de Zico escrito na taça. Aliás, para isso tem servido essa merda de competição: levantar Ronaldo ($), depois Robinho ($), e assim caminhamos. Vacinado desde a pútrida eleição de Collor, em 1989, fiquei maluco. Tinha certeza que havia impedimento; é a doença em mim gritando desespero – “a câmera do impedimento sumiu, porra!”. Alertar a esta tática pode parecer teoria da conspiração, mas quem não se lembra do episódio da sambadinha ridícula e errônea de Robinho, contra o Ecuador no Maracanã (no jogo “sem palavrões”), e como a Globo escondeu a câmera que mostrava o cruzamento torto do mesmo, que por um desvio resultou em um gol exaltado como obra de um deus? No telejornal da noite, a mesma câmera voltara pra repetição do terceiro gol. “Socorro!”. O que entope, vaza. Assim funcionam aqueles que chamam Hugo Chavéz de ditador, controlador, manipulador e divulga vídeos caseiros de crianças brasileiras dizendo ao Obama Sin Dale: “we love you, Mr. President!”. Faz-me-rir, puta da CIA! Gobbles aplaude; o futebol (como a vida fora dele), uma vez mais, chora.

*Como defendi aqui a Libertadores, devo registrar que o fiz pela loucura em campo e, principalmente, nas bancadas. E nada mais! O nível dos jogos (incluso estes insanos) continua, claro, um lixo. Lamentável, porque vejo raríssimos craques de bola, novos Bochinis, Morenas e Portaluppis. As exceções me agradam pelo tosco mesmo, pela ausência da frescura, pelos novos Luganos, Gamboas e De Leons. A regra continua sendo a dos passes errados em profusão, cartões que punem assopros e das constantes cenas grotescas, que nos envergonham, mas fazem a alegria da FIFA, das federações e das corporações. Só que a Libertadores carrega em si almas pesadas. Lembram da dancinha do goleiro Fernando Henrique, em 2008, que terminara em choro minutos depois? Jogos com Peñarol, Nacional, Grêmio, Colo-Colo, Independiente, Cerro Porteño vêm carregados de energias que esmagam as papagaiadas que os de Santander cozinham. Quando Gallego, técnico do Colo-Colo, respondeu que não conhecia o Ganso, ele não estava “provocando o Santos”, como afirmou Thiaguinho Leiffert (o bobo da corte, transvestido de jornalista). Ele estava honrando a Copa, seu time, sua torcida, a si mesmo. Que me importa responder perguntinhas de celebridades adversárias numa guerra onde só um vai triunfar? Acham mesmo que um técnico experiente, ex-jogador campeão de Copa do Mundo, não conhece o Ganso, ou qualquer outro adversário? Ele estava “milongando”, como fez aos 43 minutos do segundo tempo, quando gritou pro seu elenco, vitorioso: “um minuto!”. No futebol, quem manja, manja; quem não o faz, tem mais é que se assustar com carrinhos, pedir cartão a cada um deles e ficar de quatro pra ignorância protegida. E isso, lembro, na Libertadores! No avanço gradual e suave da nova ordem, a mídia não conquistou a Copa com sangue, suor e lágrimas. Por exemplo: em 1995, ninguém era imbecil de reclamar ou repudiar a violência, nem havia porquês; por volta de 2000, começaram a se aventurar pelo caminho sedutor, a mudar padrões, como acontecia com o futebol em todo lugar do globo; hoje, podem falar e fazer o que lhes dá na telha (melhor, nos cofres), já que a cartilha dessa nova ordem manda e desmanda no jogo, não é uma opção, e sim a única. Ditadura futebolística. Novamente, Gobbles aplaude, nos fazemos caras de bestas frente a este declínio aplaudido.


*Alguém ai se lembra da semifinal do Mentirão de 2001, entre São Caetano e Galo Mineiro? Não havia campo, e sim uma piscina em Campanella. Muito mais grave do que o campo do Uberaba no match contra o Palmeiras, que fez os “especialistas” da Globo se revoltarem, no melhor estilo “caos aéreo”. Naquele místico 2001, a emissora multinacional norte-americana já era proprietária do torneio. E apesar do alagamento em campo, o “jogo” teve de acontecer, porque os de Marinho não tinham mais datas, preenchidas com especiais de Natal, shows da Xuxa, Roberto Carlos – e ninguém se “revoltou”. E agora, como se não bastasse a ridícula e anti desportiva “rodada dos clássicos”, a CBF a direcionou para a ultima rodada, a fim de evitar o “entrega-entrega”. Um torneio assim não passa daquela picardia do tio fanfarrão, que se veste de Papai Noel para alegrar os pimpolhos com presentes: para uns e o Paraíso; para outros não faz a menor diferença, arranca um leve sorriso, uma lágrima, e o tempo segue impiedoso, marchando contra si mesmo. Pais do futebol hipócrita!


*Tenho saudades de quando acompanhava, de boca aberta, os torneios europeus. Hoje, as imagens transparecem um shopping, um videogame, uma sinuca que se joga com a parte de trás do taco e bolas de mesma cor: o jogo, fisicamente, esta ali; o sentido e a alma estão mortinhos. Quem ainda não acordou vai sofrer muitas decepções. “Tem, mas acabou”, como diria meu sábio amigo Marquinhos.


*Atenção: há jogadores trocando de camisas, sorridentes, após o apito final de jogos em que seu time acaba eliminado. É mole?


*Falando em pseudo-futebol, a tal Arena Barueri é um belo exemplo de pseudo competência, modernidade e realização. Infelizmente, já visitei duas vezes esse barraco da bola. Na primeira, o funcionário avisou que a entrada era do outro lado e que nós mesmos podíamos, como um padeiro abrindo seu comércio, levantar a porta de ferro para entrar na cancha. Ontém, venderam ingressos pro setor errado, uma baita confusão. E o ouro brilhava nas cabines cegas da televisão. A mentira sempre cai. Hasta!


ODIO ETERNO AO FUTEBOL MODERNO, PORRA!

terça-feira, 15 de março de 2011

Yo con Amacu, Nori e Shankly no disco voador




Novamente. Gira a roda. Sobe e desce. Permanece. Estive viajando por outras galáxias e resolvi visitar os bons e velhos vermes da Terra. Os ditadores vão caindo. Ótimo. Espero que o que vier pela frente honre esse sangue derramado com amor e ódio. E curioso constatar que na Bolívia, Venezuela e Cuba, nações em regime de ditaduras horríveis, segundo a mídia, o povo não se inspirou com essa seqüência libertária. Gostaria de ouvir a opinião dos “especialistas” a respeito. E continuam a profetizar o fim do mundo, sem qualquer esforço de corrigi-lo, remediá-lo. A vida continua como um trêm mal “governado”.


Agora, modificaram o eixo da Terra (sem feios na sua maldade) e o maquinista deve ter a ver com o terrível terremoto. Antes, refresquemos a memória. Há uns 70, os Estados Unidos (esse mesmo, do Obama carioca) lançavam duas bombas atômicas sobre cidades japonesas, criando centenas de World Trade Centers em segundos. O ápice da negação. O pior pesadelo de gerações desde então. O pior atentado terrorista da história? Eu acredito num pior ainda. A televisão avisa que, graças a relações amistosas entre governos e exércitos dos dois países, o envio de três navios norte-americanos (um deles, um baita porta-aviões de nome Ronald Reagan – chique, não?) faz parte da ajuda ao governo japonês nesta catástrofe. Como assim? O que houve entre essas duas datas fatais? Tendo o Império Anglo-Americano conquistado o mundo (o sonho de todos os outros até então), sobram duas opções: resistir ou não. De Bruce Lee à Jaspion, a cultura sempre vai servir como uma arma perfeita, invisível, indolor - tudo se absorve, como todo bom veneno trabalha. O trêm econômico, que hoje regula as ações do mundo, completa seu percurso ao redor do globo, obrigando ao ser humano ficar de joelhos perante sua autoridade. A televisão impõe incessantemente: “Só quem estiver nele sobreviverá”. Você o perde uma vez; na terceira ou quarta sua resistência é vencida e você pula naquele monstro sem pestanejar. Os japoneses pularam nele faz muito tempo. Quando ouço esse discurso-feito sobre a “superação” japonesa fico constrangido. Não pelo povo japonês. Eles, sim, trabalharam (e ainda o fazem) como poucos - com organização, ímpeto e determinação admiráveis. Mas qual teria sido o futuro dessa nação, caso se opusesse àqueles que pulverizaram suas crianças? Até onde os guiaria sua verdadeira superação? Parece muito com o caso do balofo e bom pai Ronaldo Nazário. Claro que, após suas contusões graves, ele estava lá, exercitando seu corpo. Mas prefiro a opinião de La Brujita Verón: “quem se supera é o trabalhador, que acorda cedo, trabalha muito, ganha pouco e não sabe se vai acordar empregado no dia seguinte”. E com os privilégios que Ronaldo teve, dentro e fora de campo, essa teoria da superação morre de vez. No caso nipônico, o erro fica claro não nas marcas da fúria natural, e sim na conjuntura social miserável do sistema que tanto sua nação alimentou, seguindo o guia-mestre yankee. Não se trata de vingança, de outras guerras estúpidas. Mas dizer não à bomba atômica poderia fazer Nostradamus chorar. Seria dizer “não” à miséria, desigualdade, injustiça e trilhar outro caminho, diferente do que nos levou o Império: do consumismo, individualismo, da (essencialmente) eterna e virtual competição, celebridades, opiniões vazias, ou seja, o capitalismo como o câncer que o é no coração de uma raça humana faminta e cheia de tesão. Como gasolina no fogo. Vejo também como uma revolta das almas perdidas. O pior terremoto da terra dos terremotos. As águas, tão maltratadas pela lógica capitalista, varrem tudo pela frente. E devolvem à ilha do Sol Nascente, justamente, a bomba atômica. A televisão fala, fala, fala, inventa entrevistas, cria “slogans” e tudo vira um “show”. Quando uma equipe de televisão está presente numa cena de batalha, de rebeliões, algo está muito errado. Áreas seguras dentro do caos, controladas pelo coronelismo global. Como nas praças medievais, para todos verem, se acostumarem – só que no camarote da censura estava a Igreja Católica. Os castelos da Idade Média Moderna estão mais altos e elegantes. Mas a tirania continua alimentando os reis, agora cibernéticos e a miséria continua a compor suas obras. Jorra pelas vias de comunicação aquilo que transborda de sua existência. Defesa. Banalizar o medo me enche de pavor. O jornalismo, como o futebol, se afrouxou, perdeu cobrança, estacionou, entrou na dança da nova ordem, confiante e satisfeito. Os que antes apresentavam, informavam, hoje agem como bons amigos dos telespectadores, informal e animado. Parecem bestas falantes. Sujam o legado de homens sérios. Golpeiam a vida, sem dó.


No Brasil, bom e velhão de guerra, as águas também se rebelam, mas o que importa é outra coisa: a euforia pelo “crescimento” que não pára, pela língua podre da Rede Globo, e logo pelos seus cordeiros. A intrusa norte-americana da Time-Life e seus covardes e manipuladores tentáculos, gozando com a Copa, as Olimpíadas, com Galvão ou não, o “país do futebol” e o time do povo que hoje agradece quem não honrou sua camiseta. Tudo se perde, mas continua a se misturar. É assustador, devido à realidade antagônica ao que se transmite, mas a polícia virou alvo de elogios e suspiros na telinha. Anjos na Terra do Inferno. É todo dia, todo dia! O futebol virou caso de polícia. A polícia joga futebol, leva bancos do antigo Império às favelas, que continuam a crescer nesse país de pessoas numéricas. A televisão inventa regras e exceções. Defende seus interesses, que nunca coincidem com os do povo. A mídia não quer justiça social, quer controle. Mídia, como ela é, virou antônimo de vida. E tudo é batizado e santificado pela magia do plim, plim! Uma massa só. Um controle só. Mais fácil para as mãos de ferro da Tropa de Choque; mais barato no mercado financeiro. Bombas de gás para a revista Veja! aplaudir; direitos pilhados do lado de fora do trêm – onde nada mais parece ter sentido e a paixão jaz enterrada sob toneladas de mentiras sedutoras. Resistir dói e apaixona, igual a qualquer outra coisa por aqui. Não gostam de equilíbrio esses terráqueos. Gostam de extremos, para acalmar o desespero da vida estúpida que se apresenta, mas não se explica, a não ser pelo seu próprio pensamento e sentimento, que perderam valor para a posse de pedaços de plástico e ferro, chamados de bens. Lá embaixo, vejo um dentista de nome José Maria atendendo no edifício Maria José. NA Internazionale um japonês de nome Nagatomo enverga o que era de Klinsmann. Penso nos tornados, em Oklahoma e ouço índios ceifados urrando em loucura e êxtase. A seleção da Romênia, do mais famoso chupador de sangue, jogará amistosamente para celebrar a carreira do maior chupador de sangue do futebol. A condução pública da locomotiva brasileira piora e o seu preço sobe. Tudo gira e nada sai do lugar. Me voy, porque ficar por aqui cansa e demora a evoluir. Há muito mais para saber. Voltaremos, voltaremos!

quarta-feira, 9 de março de 2011

"Tempo, geometria e cores", disse o Bruxo...

Nem uma lesma no sal se arrastaria tão vagarosamente como faz o futebol modernista. Os jogadores vão ao chão; o arbitro pára mais uma vez o jogo; entra a maca motorizada (UÉÉÉ, UÉÉÉÉÉ!!!!); as marcas arrecadam lucro; a televisão promove seu showzinho patético. O jogo não anda, não sai do lugar... estéril, hermeticamente realizado em si mesmo, previsível e chato. Quando se praticava com paixão este desporto, fazer mais rápido era tão vital quanto fazer o próprio gol. Hoje, tanto faz, tanto fez... as cartas já estão marcadas e poucos se arriscam a contrariar o estabelecido comercial que continua empolgando os torcedores-consumidores de tudo, sem filtro e bom senso. Quem não parou no tempo, agoniza. Já estou farto de ver times sendo eliminados, nos minutos finais de jogo, enquanto seus "guerreiros" sequer demonstram vontade de superar o contrário - sendo que o futebol sempre exigiu um comportamente maluco nesses momentos, em que homens acabavam por se degladiar em campo, movidos pela responsabilidade de representar a camiseta, a torcida. Na vida, comprometimento é fruto de razão e paixão, atitude e mentalidade combinados. A mentalidade parou no tempo; a atitude é de marionete. Os gramados antes refletiam, através dos atos dos players, o sentimento de quem ali estava por amor (e não por dinheiro). O que sobrou dessa tormenta coorporativista que destruiu o futebol foi interpretacão, um pseudo jogo, de pseudos craques, pseudos gols feios e bonitos, pseudos jogos bons e ruins. Resumindo, o nada. Aproveitem o tal de youtube e façam um exercício de comparação entre o ritmo do jogo moderno para com os de outrora. Terrorismo futebolistico, de dar pena.


O desenho do jogo virou quadrado, quebrado, marcado, delimitado, regulado e chato. Os laterais fazem todos a mesma coisa (aqui ou na Europa; ganhando ou perdendo o jogo), os meias (que ainda sobraram) idem, assim como os avantes (filhotes ou não da regressão fenomenal que a jaqueta 9 sofreu). Na zaga, o negocio é isolar como faria um Ronaldão, mas sem esquecer-se de fazer pose para a foto. Da pra acreditar? Isolada com categoria! É como comer um biscoito com o cu e cagar com a boca. Onde estaria aquele jogo constante, alucinante, de perder o fôlego, de chutes, toques e fintas? Onde estaria a liberdade de se jogar futebol? Como pode-se supor, há as excessões, mas que se apresentam cada vez menos aos nossos olhos. Raramente um jogador passa pelo outro, e as infinitas e virtuais trocas de passes fazem do futebol hoje um jogo que, muitas vezes, fica tão chato quanto o beisebol - prática esportiva de geometria (e liberdade) obviamente limitada. Outra raridade é ver um marcador encostar no rival sem receber cartão - o que também carrega limites quanto ao desenho da atuacão dos players. Alias, estão destribuindo cartões e expulsando pessoas do campo por qualquer coisa. Futebol virou um museu de cera protegido pela Tropa de Choque do PSDB. A expulsão do jogador do Arsenal contra o Barcelona (musa dos alienados, mas que não me empolga como o Estrela Vermelha de 91) foi constrangedora. Mas ocorreu porque o árbitro, macaco de circo da nova FIFA S.A., mostrou o segundo cartão amarelo quando a bola foi chutada depois do jogo paralisado. Sem nenhuma briga, nenhuma bofetão, sem atmosfera amedrontadora (afinal, falamos aqui de espetáculos para a elite): um player é retirado de campo simplesmente porque não se adaptou, porque criou atrito entre a imagem que seduz e o lucro que apodrece a alma, desafiou o controle do jogo, movido por uma subconsciente cordenacão motora de chutar uma bola de couro. E o campo estava cheio de bolas ao seu redor - como vem acontecendo desde que Farah cuspiu mais essa idéia pro alto antes dela colar na testa da FIFA - tanto que uma delas chegou rapidinho ao mesmo local onde o árbitro ainda punia o "infrator". A expulsão que (no máximo) serviria para uma aula de educacão física infantil - onde se faz necessário o exemplo e o ensinamento, aprender, tomar contato, discernir entre o certo e o errado - foi transportada para a fase final do Campeonato Europeu de profissionais! Portanto, não chute mais a bola antes de pedir permissão, pois não há mais espaco pra livre arbítrio no futebol. Quando crianca, eu ia ao campo esperando ver carrinhos, choques... porrada mesmo! Como fazem os fanáticos do automobilismo, que esperam uma batida emocionante nas pistas. Estão sufocando o futebol, destruindo tudo aquilo de belo e forte que ele nos deu. Esse é o futebol mercantil, da Globo, dos super-stars balofos e mimados. Não é mais o jogo para quem nasceu para aquilo, e sim o jogo para quem se graduar e souber chupar sacos dos covardes manda-chuvas do nosso jogo lamacento.


Há cores inaceitáveis no futebol. Há cores que você não se importa de carregar na sua bermuda de praia, ou na fantasia do carnaval, mas nunca no futebol! Incomoda-me imaginar um concerto do Black Sabbath vestido de Restart, como tem sido os prélios de futebol modernos. O arco-íris das chuteiras dos “jogadores” de hoje não só ofende os amantes da bola, como caracteriza uma tremendo desrespeito a regra do jogo, que obriga aos players se apresentarem uniformizados – e não carregando cada um sua bandeira e sua cor na vitrine do ridículo. O uniforme totalmente enterrado com sua tradição e carregado de novas (e muito suspeitas) tendencias. Assisti a um teco de um jogo do América carioca e seu excrete parecia de alguma forma surreal em campo, todo de vermelho, cheio de patrocínios e sem nenhum craque de bola. E o America não é o Vila Nova, é o America, porra! E tem que continuar sendo! Quando toda a poeira baixar, poucos tons serão tão vitais quanto os mais simples e diretos.



-------------------------------------------------------------------------------------------------



Milagre! Estou desfrutando vários jogos dessa Libertadores, ironicamente de posse hoje de um banco espanhol (o retorno de Pizarro!). O jogo esta melhorando? Nem de longe, amigos. Eu estou melhorando? Probabilidade baixíssima. Mas há uma coisa nessa Copa que me interessa bastante: a loucura. Aproveitemos enquanto é tempo. Boa passagem a todos. Nos vemos onde a geometria, o tempo e as cores farão sentido novamente. Morte ao futebol moderno!

Para Afonsinho... esse sabe das coisas.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O NEGÓCIO DO FUTEBOL É BUCETA, MEU AMIGO!


Balela! Essa viagem de Ronaldinho Gaúcho pelo Atlântico é uma mentira tão mentirosa que parece verdade. O A.C.Milan – ou aquilo que ainda restou do que um dia o foi – não poderia se desfazer assim tão facilmente, no meio de uma temporada, do futebol de alguém que merecesse tamanha badalação e punhetação. Aliás, se um time como o rubro negro milanês uma vez o contratou é porque as coisas, certamente, não vão nada bem por aqui, obrigado! Questão de parâmetros, senhores. Simplesmente as peças não se encaixam, e por isso a mídia tem que promover o assunto com a mesmo intensidade – e charme, claro - do urubu destroçando carniça. Fome é a vez do futebol! Os aviões futeboleiros se entopem de escravos do corporativismo, que transforma suor em ouro de tolo (e essa metamorfose plastificada não se aplica apenas ao futebol). O “Patrão” - esse pseudo ídolo que já provou duas ou três vezes sua categoria de macaco de circo com a pelota, mas que parece eternamente alienado à honra e dever (essência de todo e qualquer craque de bola) – chega com os mesmo ares de malandragem, ostentando os mesmos brilhantes, luzes, cores e emoções que pautaram sua carreira nas telas do mundo todo. Humildade? Vergonha de ser chutado de mais um grande clube? Nada disso, o negócio da mentira vai muito bem no futebol, obrigado! O Flamengo ignora os sinais fenomenais deixados pelo xará mais famoso do “craque”, depositando em mais um falso profeta das chuteiras coloridas a esperança de títulos importantes esse ano. Acham que o desempenho dele será diferente do “Rolha de Poço” do Parque São Jorge? Veremos... Claro que nos “jogos” que vai “disputar” pelo “cariocão” ele tem tudo para “deitar e rolar”. E quando a primeira jogada sair, o primeiro passe com pose de modelo se concretizar contra um time de Caxias, as máquinas registradoras agitar-se-ão como o pau que deseja a buceta. Vejam o exemplo do xará, mas agora com a atenção voltada pro business: quanto mais ele se despedaça em campo feito um monte de batatas, menos atrito há na disparada às alturas da renda de sua marca, numa inversão aritmética que incomoda minha inteligência. Agora que descobriram a mágica do “retorno” para limpar imagem, polir seu tesão, não vão parar mais. Não nos esqueçamos: falamos aqui de abutres, hienas, que se contentam com os restos, migalhas. Justo com o nosso futebol... O futebol, o jogo do tosco, do sangue que fazia acontecer, aplaudir, desfalecer, desintegrar, gritar, chorar e rir. E fazer mais uma vez, unir, rasgar as divisões, hoje segrega, seleciona, separa, sempre abençoado pelas palhaçadinhas infantis dos bobos da corte usando microfone. O jogo dos palavrões, daqueles que se compartilha com a mulher no orgasmo, mas não se repete na mesa de jantar. O jogo do escape, do contrário, da vazão, da razão e da loucura... A Renascença da humanidade frente ao maior crime da mesma, ou seja, o mercado livre, a globalização, a banalização. O futebol moderno é a camisinha na foda saudável. O desperdício de tudo, a invenção do que não existe, a vitória de quem nem sequer entrou em campo. Virou um cu invertido, uma buceta que não se penetra. Virou Broadway. Eu não agüento mais. Vamos todos à merda, com sorrisos estampados em nossas faces. Que façam a “verdade”, enquanto matamos a vida. Para não passar em branco esse ano, eis meu registro atual. Não restam muitas palavras frente ao calamitoso declínio do jogo maior do homem. É hora de agir.

PS: Depois do mais prolongado e agonizante recesso da história juventina, estamos há poucos dias da volta a nossa vida – única, plena, vibrante, imprevisível e absolutamente insana. Os putos que cospem sua ignorância, vestindo ternos e gravatas, podem preparar seus soldados de plástico – que defendem suas pútridas finanças – porque a torcida juventina está longe de se sentir satisfeita. Hasta!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Poucas coisas são mais ridículas...

...do que o suspense que esse Daniel Alves faz para bater suas faltas. Ele pára, respira fundo, observa lá e cá com olhares dignos de um Robocop, em fria, milimétrica busca das melhores opções para efetuar o levantamento; faz carranca de mau, calculada pose corporal e assume um ar de superioridade de quem realmente vai decidir a partida com tal lance (sempre em busca de uma câmera, lógico, este paradigma dos jogadores modernos, junto às famigeradas chuteiras coloridas) - para, na sequência, mandar a pelota em local quase sempre frustrante para quem fez tamanho alarde de suas capacidades com a bola parada. Mas, mesmo assim, com essa capacidade de sair do método mais arrojado de interpretação para a canastrice contumaz, ele sempre está por aí, nas convocações da seleção, assim como permanece no Barcelona, um dos gigantes do futebol planetário. Sinal dos tempos é isso aí: o que conta, hoje, não é a eficiência, é a imagem. Eis a prova, corporificada em um lateral-direito que sabe, como poucos, "representar" o ofício.

****

Não só é triste uma seleção brasileira que ainda precise ($$$) de Ronaldinho Gaúcho (que nada fez, como já prevíamos) e Robinho (este, agora, promovido a "capitão") - triste (ou sintomático?) é também ver um Campeonato Brasileiro trazido de volta à vida graças a uma sequência de atuações desastrosas de juízes, estes promovidos a astros principais de uma competição tecnicamente moribunda (isso graças a um tema que eu gostaria de desenvolver mais para a frente, o da banalização dos pênaltis). E, favas contadas, os que tentaram levantar sua voz ante tal estado de coisas na grande imprensa já foram sumariamente calados, para que o status quo corrente de "certame bem disputado" não se alterasse. E tudo segue como dantes, no mundo das abobrinhas.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Estamos aqui pra isso

Veja aí, mais abaixo, nos posts recentes: Mano Menezes receberia logo a ordem para convocar Ronaldinho Gaúcho. Restaria ver se o alegre treineiro a acataria. O fez. Pode ser creditado como um dos mais covardes treinadores que já sentaram no banco para comandar o selecionado tupiniquim, e um dos que pode se servir com gosto da alcunha de "pau-mandado". Se o anterior conseguiu resistir à pressão, este não só a acatou, como o fez sorrindo. E planeja fazer mais, segundo declarou. Tanga-frouxa.

Dunga, como treinador, foi péssimo, não se pode negar. Com pouqíssimos recursos, daqueles que só sabem trocar seis por meia dúzia, entregue a uma assustadora hierarquia militar, e à panelinha que todo treinador faz uso (e, em seu caso, tendo colocado a seu serviço atletas de uma pobreza sem par), sua seleção, dentro de campo, não fará a menor falta. Agora, o que este homem fez fora de campo, ah, isso sim, será inesquecível, senhoras e senhores! Um sujeito, que deveria ser, na concepção dos donos do poder da CBF, um simples cumpridor de ordens, resolver peitar, sozinho e à revelia do sr. todo-poderoso Ricardo Teixeira, a Rede Globo de Televisão e a Nike, e por tabela a própria CBF, é coisa inacreditável até agora. Aliás, com o passar do tempo, e com o papelzinho ridículo e serviçal que gente como esse Menezes costuma fazer quando lá está, o que Dunga alcançou torna-se ainda mais surreal, coisa sem precedentes mesmo. Como uma pessoa com uma mentalidade à primeira vista tão reacionária pôde tocar um projeto revolucionário como esse, o de encarar de frente as duas corporações às quais a CBF mais abana o rabinho (petulância estratégica: na época de Copa, na qual era virtualmente intocável)? Tirem esse cara daí, antes que o estrago seja maior, e tragam alguém que faça subservientemente o nosso jogo, devem ter gritado os poderosos no ouvido de Teixeira - e aí veio Menezes, com a cartilha do bom menino embaixo do braço. Aliviados, todos deram as mãos - e agora comemoram esse ridículo retorno de Gaúcho, que nada vai acrescentar a não ser o brilho de seus avançadíssimos Nike Shox à transmissão global. Vai que é sua, Júlio César!

(PS: Toro já me adianta a letra: A Ronaldomania dá as caras novamente, e faz o Timão ressurgir das cinzas, para dar alento a esse morto "Brasileirão". O Cruzeiro recebeu seu recado: o assombroso pênalti dado ao São Paulo na quarta-feira mostra que tudo pode ser feito para que Andrés, o amigão da galera, comemore o tal "Centenário" numa boa, com ao menos um título. Veremos.)

sábado, 23 de outubro de 2010

Já repararam que...

...nossos comentaristas andam cabisbaixos, longe da empolgação do ano passado, com o "Brasileirão" corrente? O bizarro é que trata-se de um certame exatamente igual ao pregresso, aquele que foi vendido como "o maior de todos os tempos", "emocionante", e tal, por esses mesmos que agora quase choram ou bocejam no ar: times que caem de produção no segundo turno, equipe que surge e atropela rumo à liderança, disputa entre várias agremiações na zona do rebaixamento... Será por quê, um ano tão borocoxô por parte dos cronistas? Arrisco duas hipóteses:

1a.) Em 2009, eles precisavam levantar a Copa do Mundo vindoura, instaurar um clima de encanto crescente com o futebol até o ano seguinte - mas a "revolução tática" negativa promovida pela Espanha campeã (a do cozimento infernal dos toques laterais no meio-campo, e, de 1 a 0 em 1 a 0, o pragmatismo levado às últimas consequências possíveis e imagináveis) foi um tal banho de água fria que não conseguiram segurar a onda: sim, pessoas, o esporte está em franca decadência técnica nos gramados mundo afora, e é imperativa a admissão de tal fato. Ainda não puderam acordar em definitivo, pois possuem compromissos comerciais/corporativos que não os permitem chutar o balde com veemência (ao menos, aqueles dos quais esperamos atitude semelhante - da maioria, a passividade é eterna e sorridente companheira), mas estão em estado vegetativo, prestes a sair do coma.

2a.) Além da questão Copa, o campeonato ter sido hipervalorizado em função do Flamengo ser o clube com a maior torcida do Brasil (olhe que casamento perfeito, coincidência ou não: antes do certame mundial, para o congraçamento das massas na usual "corrente pra frente", nosso time mais querido é campeão!). A questão comercial tornou-se preponderante para as emissoras, que assim buscavam elevar suas audiências e lucros ao venderem essa ascensão rubro-negra como algo sem precedentes. Este ano, com a queda corinthiana, foi-se a única possibilidade das TVs em mascarar ao menos o mínimo do horror deste torneio nacional pós-ressaca do "fracasso" (em todos os sentidos) da Copa de 2010.

Fica aqui, então, a nossa dica: rapaziada dos microfones, enterrem logo o defunto, antes que ele enterre vocês.

domingo, 17 de outubro de 2010

Beijim beijim, tchau tchau

Parece que foi de um dia para o outro que as mudanças tomaram o futebol de assalto, mas não foi. Desde a época de João Havelange no poder de sua entidade máxima, a FIFA, na década de 70, já se ensaiavam diversas mudanças que tomariam corpo definitivo na gestão Blatter, no final dos anos 90, para fazer do esporte uma máquina global de render dinheiro, acima de tudo. As bases já vem lá de longe - mas, mesmo neste mundo onde tudo precisa ser moderno, padronizado e lucrativo, certas práticas não caem em desuso entre os "boleiros", por mais que sejam consideradas desatualizadas, ultrapassadas, fora de moda, etc. Porém, como o entorno que cerca os atletas é radicalmente diferente, a maneira como tais atitudes serão recebidas também. E isso pode representar muito mais do que aparenta em dois ou três segundos de um VT de melhores momentos.

Sábado passado, Robinho fez seu primeiro gol pelo Milan. O ex-santista, que tem oscilado entre o time titular e o banco de reservas (de onde saiu nesta última partida), depois de anotar o ponto, foi até um ponto no qual poderia encarar a torcida que o criticava no início da temporada, e também ser fartamente fotografado e filmado pela mídia ali presente, e beijou a camisa do time. Não só precisava dar uma satisfação aos que o criticavam, como também mostrar que ainda pode existir amor à uma camisa nesse mundo canalha, vaidoso e inclemente do futebol moderno, que já o queria vitimar antes mesmo de poder desenvolver seus primeiros seis meses de trabalho por lá. Vindo de qualquer um, já soaria cínico... De Robinho, então, é praticamente uma afronta, até mesmo para quem não é torcedor do Milan.

Não se pode precisar quando surgiu essa atitude de beijar a camisa (eu, pelo menos, não sei), mas ela servia para aproximar o jogador do torcedor. Pessoalmente, acho que nessa tão propalada história de amor à camisa tem muita balela (com dignas exceções, claro, e essas podemos contar nos dedos); mas o ato de mandar um singelo ósculo ao escudo da agremiação ajudava a dizer aos que pagaram ingresso que o jogador é consciente de ser apenas um intermediário entre o clube o torcedor, nada além ou acima disso. É necessário respeito e grande dose de discernimento, antes de tudo, pois é fácil desmascarar o farsante nessa brincadeira; já que todo jogador possui um passado, é acompanhado incessantemente pela mídia, diz coisas que podem ser mal interpretadas, etc. Se tal ato hoje é mal visto, se existe, por exemplo a expectativa do iminente vexame se um jogador beijar o símbolo no novo clube em sua apresentação, por exemplo, é porque isso é demonstração de frontal hipocrisia - não porque não existe mais o tal "amor à camisa", e sim porque o compromisso com o futebol fica em segundo plano para as novas gerações, mais interessadas em ascenção social, celebridade, etc. Assim, o que dizer se é um dos que mais valorizam o culto à personalidade a origem de tal prática?

Robinho está acuado neste início de temporada na equipe rossonera. Tanto a torcida quanto seus companheiros não lhe dão colher de chá. Sem o tão benfazejo refresco do paternalismo, aquele que tem feito os atletas retornarem ao Brasil reclamando de "perseguições" dos técnicos estrangeiros, tem cortado um dobrado. Na comemoração do gol, o atacante comportou-se feito um cordeirinho, quase chorando frente à organizada do Milan, rebaixou-se como poucas vezes pudemos ver, porque ainda quer de qualquer forma ser aceito em um dos "grandes" do Velho Mundo, mesmo com a carreira já em curva descendente. Fez média com a torcida, sequer preocupou-se em considerarem sua atitude populista (pelo contrário, quis que a registrassem, a fez ali, perto de quem a captasse para retransmiti-la depois), porque realmente não se incomoda, pois, sim, ainda acalenta o projeto de ser o "melhor do mundo". Por qualquer lado que observemos, não importa quantas voltas dermos, com Robinho sempre cairemos no individualismo, no personalismo exacerbado, na falsa humildade. Um beijo na camisa é para ele a continuidade desse processo de contínua adoração ao próprio umbigo - e que a trégua com os torcedores do Milan, que não iam com sua cara, venha seguida também de idolatria, é só o que a ele interessa. Durma-se com um barulho desses.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

"O tempo é o senhor da razão"

Chavão, lugar-comum, frase batida... Tal ditado que entitula esse post é uma frase ainda mais surrada que as hoje em dia doentias "futebol é uma caixinha de surpresas", "tal jogador veio para somar", "placar elástico", e desgraças quetais. Mas não me foi possível evocar outra sentença, me desculpem. Assistindo ao canal ESPN ontem, repercutiam uma entrevista de Ronaldinho Gaúcho a um veículo francês (esse tipo de "bomba" dada por jogadores nativos de renome encontra duas válvulas de escape: Rede Globo, ou algum grande jornal/TV da Europa - lembra-se que Ronaldo preferia que seu filho fosse "europeu"? Pois é, complexo de vira-lata não se supera do dia pra noite), na qual ele dizia: "Nenhum jogador brasileiro jogou tanto quanto eu, na temporada passada". Arnaldo Ribeiro, tão querido por nós aqui do Antimídia, comentava. Primeiro, me diz que tal frase não combinava com Ronaldo Assis, "sempre tão humilde". Depois, diz que poderia listar "uns 20 jogadores brasileiros" que atuaram melhor que o 80 milanês em 2009/2010, e que, se quiser ser convocado novamente, ele precisa fazer um sequência de jogos "menos irregular" do que a passada. Me senti estranho. A cabeça voltou à tal temporada como em um furacão, e nem precisei vasculhar os arquivos desse blog para refrescar a memória, ainda quase lá: não foi nela que os articulistas insistiam que Ronaldinho debulhava tudo, jogo após jogo? Que ele havia recuperado a forma, que estava voando baixo, que massacrava sem pena os adversários, e que seria a única alternativa de brilho para a seleção de Dunga? Ora, fuçe você mesmo o arquivo deste sítio, para ver o que Toro e eu postamos desde o início do massacre midiático que visava mastigar todas as mentes, favorecer Ronaldo Gaúcho e interceder a favor de sua convocação: que, NÃO, o sujeito não estava jogando a bola que esses especialistas direcionados e parciais insistiam que ele vinha praticando. Por quê só agora, depois da Copa, sem o compromisso comercial da transmissão, o tal Arnaldo percebeu isso, e admitiu hipocritamente frente às câmeras, com ar blasé, sem autocrítica? Ou melhor: será que não existia essa consciência já naquele momento, e que alguma coisa (mais uma vez, sugiro que vá aos posts antigos, lá esmiuçávamos o quê poderia freá-los) o obrigava a dizer o contrário? Em quê vamos acreditar: em ingerência corporativista ou em 'delay' do articulista? Se escolher os dois, também não estará errado.

Talvez estimulado pela presença de Mano Menezes, que demonstrou nos primeiros jogos total disposição para fazer tudo o que lhe mandarem, Gaúcho já avisou ao treinador (e aos dirigentes da CBF, para que lhe passem a ordem): quer voltar ao time do Brasil, e planeja ainda jogar as Copas de 2014 (quando estará com 34 anos) e 2018 (com 38). Nesta bolha na qual vive um jogador multimilionário, tudo é possível: até mesmo crer que não será ultrapassado pelo tempo. Parece que a lição de 2010 não foi compreendida por Ronaldinho, que ainda se crê maior do que o seu futebol realmente o credencia (ou, vá lá, se você é daqueles que o compram como o "maior da década", não firamos sua aflorada sensibilidade, ao menos uma vez: digamos, então, que o seu "momento" o credencia - melhorou?). Se é levado a acalentar tais desejos pela máquina que o cerca (quem, já acostumado a viver como Deus por acreditar ser o próprio, deseja voltar a ser simples mortal?) ou se ele realmente bota fé que, aos 38 anos, ainda terá condições de estar em um certame mundial (sendo que aos 30 já foi cortado de um), é algo que não sabemos - mas a megalomania de sua frase, aquela que gerou a manchete do jornal francês, parece não ser obra do acaso, dessas sentenças pescadas por um jornalista astuto entre palavras perdidas ditas pelo entrevistado. Se o tempo traz a razão a alguns, a outros ele não parece tão benfazejo assim.

(E a 'Neymar situation' continua rendendo. Dia desses, se o assunto não me fizer devolver almoço ou janta, tento falar dele por aqui. O 'garoto de ouro' virou um habitué do Antimídia - e, se isso acontece, bom sinal não é...)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ainda não me ensinaram a fazer contas quebradas

Eduardo Galeano (foto) afirmou, uma vez, ser uma espécie de "mendigo do futebol", pois era como se passasse um pires pelos gramados mundiais, em busca de migalhas de fantasia no futebol, ou seja, um drible bem dado, uma jogada coletiva bem construída, uma defesa arrojada, gols espetaculares... Coisa cada vez mais rara no futebol, segundo o mestre uruguaio, já em plenos anos 90, época que pessoas como nós, que iniciamos nosso gosto pelo esporte um pouco antes dessa data, ainda enxergávamos tantas maravilhas. Pois, se aqui no Antimídia, ainda perdemos tempo com a indigência generalizada dos programas esportivos, é porque aguardamos (com certa ingenuidade, devemos admitir) algum abnegado da crônica soltar farpas de amargura com as quais nos identificamos, e que iriam frontalmente contra o corporativismo reinante entre emissoras e Campeonato Brasileiro, e entre tais articulistas e seus contratantes. Assim, somos algo como "mendigos da verdade" - uma tarefa hercúlea e que parece perdida, mas da qual não desistimos.

Hoje, fui conferir um programa da horrenda SporTV, esse canal que criou um mundinho paralelo de plasticidade total para seguir em sintonia com o futebol "globalizado" e seus fãs fast-food, unicamente porque queria ver os gols dos jogos de ontem. Só isso: não queria saber da opinião de ninguém, não queria ver matérias feitas por/para abobados, não queria ver sorrisinhos nem troca de gentilezas/piadas internas feitas pelos apresentadores, para simular (mal) a descontração tão cara ao jornalismo esportivo global. Queria apenas saber os resultados, ver os tentos, e acabou. Pois bem: a primeira chamada do programa matinal era um suposto "chapéu" que o santista Neymar havia aplicado no oponente catarinense do Avaí. Tal imagem foi repetida à exaustão, de vários ângulos, e já antecipava o discurso a segui-la: "alegria", "arte", "molecagem", bla bla bla. Detalhe que sequer foi mencionado: o que recebeu o lençol estava caído, deitado ao chão. Outra: o jogo estava paralisado, da mesma forma como havia acontecido há um tempo com o avançado baleeiro e o beque mosqueteiro Chicão. Pois sim: todos estavam prostrados ante um lance que sequer pode ser considerado parte integrante daquela partida, já que esta encontrava-se momentaneamente suspensa! E nosso amigo "craque" ganhou destaque ("incontestável", segundo os do canal) no cotejo por conta de algo gratuito como tal firula, que fez exatamente com o intuito de se exibir, de aparecer, de prorrogar forçosamente o rótulo de jogador "irreverente" que lhe colaram!

À parte a discussão que tomou conta dos programas da hora do almoço, dos quais a tônica é desde sempre o provincianismo estupidificante, a de que aquilo poderia ser um desrepeito ao adversário (e cuja réplica era sempre a de "querem acabar com a alegria do futebol" - cavalgaduras como esses caras só enxergam as coisas em termos rasos), temos aqui uma continuação do post anterior: o desespero que os profissionais do microfone (e, por extensão, os que os acompanham) nutrem por encontrar "ídolos", nessa era da pré-fabricação, os levam a considerar um lance fora do jogo como demonstração de "talento". E não são os tais "mendigos", como Galeano disse com a classe que lhe é peculiar, pois esses, que ainda passam o chapéu em busca dos restos da real fantasia no tapete verde, buscam justamente o contrário do que Neymar fez. O autor platino é de um tempo no qual se valorizava unicamente os feitos alcançados dentro de campo, por jogadores capazes porque verticais, objetivos. O 11 praiano, por sua vez, fez apenas e tão somente a costumeira publicidade de si mesmo, maquiada de "arte", de forma oportunista, covarde até (o adversário estava caído, lembremos), e que nada acrescenta ao futebol como jogo, como esporte. Se a firula desnecessária dentro de uma partida já é algo discutível (para nós, repugnante), Neymar notabiliza-se por levar a inutilidade ao ponto de ser reconhecida como acontecimento de maior interesse até do que ele e seu time haviam feito em campo. Anotou um gol, até deve ter jogado bem, o Santos venceu, mas os olhos se voltaram para o momento no qual não existia futebol, no qual o duelo estava interrompido, para o qual seu gracejo deveria significar o mesmo que uma reposição de bola feita por gandulas. Sintomático que se subtraia da manchete e das discussões a peleja, as equipes, o campeonato: é o canal, o programa esportivo, o jornalismo em geral, mandando o futebol definitivamente às favas, para destacar uma bobagem extra-partida! A real motivação para a cobertura torna-se algo que não é mais o desporto bretão; mas que, paradoxalmente, nos é vendida como a alma do "real futebol brasileiro"! Isso é assustador demais para passar batido, caras. Por essas e outras que, por mais que exista a vontade de jogar tudo ao inferno, ainda encontramos um tanto de força e de razão para postar aqui.

(Um adendo: nas últimas partidas, São Paulo e Corinthians - antes, lógico, da palhaçada do tal 'retorno' de Ronaldo - entraram em campo sem centroavante de ofício. Um dos nossos últimos tópicos falava exatamente da escassez que tal posição enfrenta no mundo hoje em dia. Será por conta de covardia tática, ou porque esperam que o próximo 'fenômeno' surja a partir da eliminação, para que este seja em definitivo o 'único da espécie'? Alexandre Pato está aí, na fila dos que aguardam tal oportunidade.)